Asteroide batizado em homenagem a Ayrton Senna tem um “companheiro de equipe” no espaço
Detectado pela primeira vez em 1985, um asteroide batizado em homenagem ao inesquecível piloto brasileiro de Fórmula 1 Ayrton Senna, acaba de surpreender os cientistas ao revelar que não “corre” sozinho pelo espaço. Astrônomos descobriram que o objeto faz parte de um sistema binário, formado por dois corpos ligados pela gravidade.
Isso significa que a rocha espacial (6543) Senna, conhecida pela ciência há mais de 40 anos, tem um companheiro menor orbitando ao seu redor, como uma espécie de minilua. A confirmação oficial foi divulgada em 25 de agosto de 2026, no boletim CBET nº 5727 do Bureau Central de Telegramas Astronômicos, órgão ligado à União Astronômica Internacional (IAU).
Por que o asteroide recebeu o nome de Senna
Este asteroide foi avistado pela primeira vez em 11 de outubro de 1985 pelos astrônomos Carolyn e Eugene Shoemaker, no Observatório do Monte Palomar, nos Estados Unidos.
Inicialmente registrado apenas pelo código técnico 1985 TP3, o astro recebeu o nome de (6543) Senna em 1995. A homenagem foi uma iniciativa da Sociedade Astronômica do Sul da Austrália junto ao Fã-Clube de Ayrton Senna no país – uma escolha emblemática, já que o Grande Prêmio da Austrália de 1993, disputado na cidade de Adelaide, foi o palco da última vitória na Fórmula 1 do piloto, que morreu em um acidente na Itália em 1994.
O que é um sistema binário de asteroides
Um asteroide é classificado como binário quando ele não é um corpo isolado, mas sim uma dupla de rochas espaciais em interação permanente. “Trata-se de um sistema composto por dois corpos ligados pela gravidade: um asteroide principal, maior, e um corpo secundário, menor, que funciona como uma pequena lua”, explica Cristóvão Jacques, astrônomo associado à Rede de Astronomia Observacional (REA), cofundador da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON) e sócio-proprietário do Observatório Sonear, em Caeté (MG).
Segundo o especialista, ambos os objetos giram juntos em torno de um ponto de gravidade em comum. No entanto, como o asteroide principal é consideravelmente maior e mais massivo, para quem observa de longe fica a impressão de que apenas o parceiro menor realiza o movimento ao seu redor – exatamente como a Lua faz em relação à Terra.
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Como o “companheiro de equipe” de Senna foi identificado
Nenhum telescópio tirou uma foto nítida mostrando dois pedaços de rocha lado a lado. De acordo com Jacques, a descoberta veio por meio da fotometria, uma técnica que mede minuciosamente a oscilação da luz que o objeto reflete.
Entre os dias 6 e 21 de agosto de 2026, os pesquisadores Vladimir Benishek, da Sérvia, e Petr Pravec, da República Tcheca, usaram um telescópio de 35 centímetros no Observatório de Sopot para monitorar o astro. Eles notaram que o brilho do asteroide piscava com uma regularidade matemática.
Segundo Jacques, essa queda na luz acontecia por dois motivos:
- Ocultação: quando a rocha menor passava na frente da maior, tapando a luz que vinha do fundo.
- Eclipse: quando a rocha menor entrava no cone de sombra projetado pelo asteroide maior.
Foi o ritmo constante dessas “piscadas” no espaço que entregou a existência da segunda rocha.
Raio-X do novo sistema binário
As medições feitas pelos cientistas revelam que:
- O asteroide principal conclui uma volta completa em torno de si mesmo em rapidíssimas 3,3 horas;
- A rocha menor demora 13,8 horas para dar uma volta inteira ao redor do asteroide maior;
- O corpo principal aparenta ser quase redondo;
- A minilua tem um diâmetro equivalente a pelo menos 28% do tamanho do seu parceiro.
O diâmetro do asteroide Senna é estimado em aproximadamente 3,4 km. “Se adotarmos esse valor para o componente principal, sua pequena lua teria pelo menos cerca de 1 quilômetro de diâmetro”, explica Jacques, ressaltando que “esse número ainda é apenas uma estimativa, pois a circular estabeleceu um tamanho mínimo relativo, e não uma medição direta”.
As investigações sobre o sistema continuam. Com novas observações fotométricas e modelagens computacionais, os astrônomos pretendem refinar os dados para determinar com precisão a massa, a forma exata e a órbita definitiva da recém-descoberta minilua.
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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de olhardigital.com.br.