← Ciência Ciência

Islândia vai a referendo sobre retoma das negociações para aderir à UE

29 de August de 2026 12 leituras
Islândia vai a referendo sobre retoma das negociações para aderir à UE

Islândia – A Islândia decide este sábado, 29 de Agosto, se deve retomar as negociações de adesão à União Europeia, interrompidas em 2013. O resultado do referendo não determina a entrada no bloco europeu, mas abre caminho a novas conversações com Bruxelas. Com as sondagens praticamente empatadas, pescas, agricultura, soberania e estabilidade económica estão no centro de uma campanha marcada por fortes divisões.

Publicado a: 29/08/2026 - 13:33Modificado a: 29/08/2026 - 13:34

Cerca de 270.000 eleitores islandeses são chamados às urnas este sábado, 29 de Agosto, para responder a uma questão precisa: deve a Islândia reabrir as negociações de adesão à União Europeia? Se o “sim” vencer, o Governo pode retomar as conversações com Bruxelas, mas um eventual acordo de adesão vai ter posteriormente de ser submetido a um segundo referendo.

Nos últimos dias, o resultado permanece incerto. Uma sondagem Gallup realizada entre 24 e 27 de Agosto colocou o “não” em 51,6% e o “sim” em 48,4%. Poucos dias antes, um estudo da Maskina tinha chegado ao resultado inverso, com 51,3% favoráveis à retoma das negociações e 48,7% contra.

A partir de Reiquiavique, a cidadã portuguesa Marina de Quintanilha e Mendonça descreve um debate que mobiliza a sociedade islandesa. “É uma grande conversa que se tem entre as pessoas, e algumas são muito acaloradas”, afirma. Quanto ao desfecho, admite que “está tudo muito em aberto” e que “ninguém sabe muito bem o que é que as urnas vão, de facto, decidir”.

As maiores resistências concentram-se sobretudo nas pescas e na agricultura, sectores que receiam perder autonomia perante as regras europeias. “Existe a facção que diz claramente não, nomeadamente os pescadores. Aparentemente, no meio da pesca há uma reacção algo hostil em relação a uma aproximação com a União Europeia”, explica.

A portuguesa sublinha, porém, que a oposição no sector pesqueiro parte sobretudo dos grandes interesses económicos. “Os pescadores, na verdade, são os armadores, portanto são os grandes interesses da pesca que não querem aderir à União Europeia, como os agricultores."

O referendo evidencia também uma divisão geográfica. Segundo Marina de Quintanilha e Mendonça, o apoio à aproximação à União Europeia é mais forte na região da capital do que nas zonas rurais. “Existe esta divisão entre a zona metropolitana e o resto da Islândia”, explica. “Na área metropolitana, claramente, é o ‘sim’.” A oscilação das sondagens reforça a incerteza: “Vai ser uma surpresa, realmente. As projecções são muito parecidas entre o ‘não’ e o ‘sim’, acrescentando que votar “sim” não significa votar já pela adesão.

“A pergunta é só se deverá a Islândia iniciar as negociações”, recorda. Para muitos apoiantes da proposta, o objectivo é perceber que condições poderiam resultar de um novo diálogo com Bruxelas. “Na verdade, quem está a votar ‘sim’ quer saber o que é que vai acontecer daqui para a frente.”

A Islândia integra o Espaço Económico Europeu e o espaço Schengen, participa no mercado único e aplica uma parte substancial das regras europeias, embora não tenha representação nas instituições onde essas normas são decididas. As pescas e a agricultura, dois sectores sensíveis para os islandeses, permanecem fora de grande parte desse enquadramento.

Reiquiavique apresentou a candidatura à União Europeia em 2009, na sequência da grave crise financeira que atingiu o país. As negociações começaram em 2010, mas foram suspensas em 2013, depois da chegada ao poder de um Governo eurocéptico. A memória desse colapso económico continua presente no actual debate e ajuda a explicar o interesse de parte da população por uma maior integração europeia.

“As pessoas estão um pouco cansadas”, resume Marina de Quintanilha e Mendonça, referindo-se à instabilidade financeira e ao peso das elevadas taxas de juro. “As pessoas perdem casas, perdem carros, perdem uma série de coisas.” Para alguns islandeses, acrescenta, chegou o momento de testar uma alternativa: “Como dizem, já tentaram tudo. A única coisa que não tentaram foi ir para a União Europeia.”

Acompanhe a Recifes.net

Gostou desta leitura? Siga a Recifes nas redes e receba as proximas pautas no WhatsApp.

Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de www.rfi.fr.

Compartilhar:
Leia também